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O peso da originalidade

  • Foto do escritor: Teleya
    Teleya
  • 24 de jan.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 6 de fev.

“Nada se cria, tudo se copia” é uma frase comumente usada de forma errônea, a meu ver. Muitas pessoas se escondem atrás dela para justificar um conformismo na sua própria falta de criatividade ou então para diminuir o feito alheio ao apontar referências e inspirações como se fosse um plágio. Entretanto, se ignorarmos essa aplicação, ela pode ser uma grande aliada no processo criativo, por ajudar a aliviar a pressão de sermos 100% originais.


Se clichê fosse tão ruim assim, não haveria tantos filmes de romance natalino nos catálogos dos serviços de streaming, nem tão pouco veríamos centenas de leitores pedindo diariamente pelos temas mais batidos nos grupos de escritores. Exemplos não faltam para mostrar que o conhecido e previsível é atraente aos consumidores, mesmo assim vivemos em busca de uma grande ideia, amedrontados pelo pensamento de estar fazendo mais do mesmo, e isso é um veneno para a criatividade.


Tente pensar em uma cor que não existe. Você consegue? Buscar ser criativo sem aceitar que somos limitados às nossas referências é tão desgastante quanto esse exercício, você pode pensar por horas e até se iludir de que conseguiu fazer algo totalmente novo, mas estará apenas jogando energia fora. Então, quando perceber que tudo que você faz é na verdade uma grande mistura de suas experiências, poderá relaxar um pouquinho e dominar melhor esse processo.


Fazendo as pazes com as referências 


Pegue algo que você criou antes de ler esse texto e responda para si mesmo, você sabe de onde tirou suas ideias? É possível identificar as referências que usou para chegar àquele resultado? Um não pode parecer um ótimo sinal, porque se nem você consegue, quem dirá os outros, porém não é bem assim que funciona.


Acredite quando digo: você não quer ser o gênio download, que tira as ideias do nada como se apenas estivesse recebendo as informações de uma força maior. Quando você começar a dar mais atenção para suas inspirações, vai ganhar uma massageada no ego, já que é muito mais prazeroso ver todo o caminho que traçou e perceber que houve um trabalho suado por trás dos resultados.


E mesmo que haja momentos em que pareça que as ideias vêm do nada, como se apenas despejássemos conteúdo no papel por mágica, isso na verdade apenas significa que temos um bom repertório, repleto de conteúdo absorvido e ressignificado.


Ao preservar um arquivo com fotos, desenhos, músicas, textos e o que mais te auxiliar no processo criativo, você terá a possibilidade de futuramente observar e entender o caminho que sua mente faz para atingir determinados resultados. Além de gerar um material interessante para compartilhar com seu público e colegas de trabalho.

 

Sempre em busca do novo


Mas atenção! Ainda que não seja possível criar algo do zero, sempre é possível trazer novos elementos para o seu processo criativo.


Então, se você prefere ficar na zona de conforto, fazendo mais do mesmo para não correr riscos, assuma isso. Seja um grande clichê com orgulho, está tudo bem. Por outro lado, se você adora desafios, abasteça-se. Quanto mais você consumir: livros, filmes, novelas, desenhos, mangás, até mesmo a fofoca da vizinha, mais material vai ter à sua disposição.


Inclusive, o Teleya’s Save Point pode ser uma ótima adesão ao seu repertório. Aqui você encontra mais dicas sobre a rotina criativa, livros de minha autoria e algumas fofocas sobre os meus personagens.


Dica de leitura: Roube Como Um Artista


Falo tanto desse livro que deveria ganhar comissão por vendas, mas garanto que só faço isso porque é realmente muito bom. Com dez dicas muito simples e realistas, o autor Austin Kleon fala exatamente sobre a libertação da ideia do gênio criativo.


Com uma linguagem simples e intimista, esse passou a ser um livro para o qual retorno quando sinto que o peso da originalidade está grande demais para suportar.

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